Matinal

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[Music - Hallucination Walker].
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MATINAL
(Rogério Santos)
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Acordar os acordes
e aflorar a canção
na casa do peito
o passo no tempo
no fogão o compasso
toque de percussão
no tic-tac do relógio
a lembrança da nota
abstrair a música
do café da manhã
dia após dia mirar
navegar a canção
a vida e seu curso
a estação e o ciclo
o amor que renasce
nos pequenos gestos
a criança que mora
no sabor do mamão
e cantar no chuveiro
e cantar todo dia
para espantar os males
e aceitar a paixão.

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Rogério Santos

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Sou paulistano, quarenta e poucos anos. Letrista, compositor e interprete, tendo como principais parceiros, Floriano Villaça e Tony Pituco Freitas, vivo catando a poesia que a cidade de São Paulo entorna no chão. Edito o blog ‘Folha de Cima’, com meus poemas autorais. Participei das antologias do Congresso Brasileiro de Poesia nos anos de 2006, 2007 e 2008, ano em que também apresentei recital autoral de poesia urbana intitulado: ‘Geopoemas e Canções do Espaço Paulistano’, que pode ser conferido na íntegra em: Geopoemas. Um resumo de minha obra litero-musical pode ser conhecido em: Rogério Santos – Conexão Vivo.
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Blog: Folha de Cima.
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Meu Vício

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MEU VÍCIO
(Edi Longo – SBAT 030899)
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A vida é o vício
.................. que me desce
.................................... pela garganta
...................................................... nos goles de
..................................................................... uma bebida
.................................................................................. que me sai
................................................................................................. pelas narinas
.................................................................................. nas espirais
...................................................................... de um cigarro
..................................................... quanto mais
.................................... quero parar
................ mais a danada
me pega
........... e me faz nela
............................. viciar
.................................... e como gosto
.................................................... desse vício
................................................................... vivo pela vida
.................................................................................... bêbada
........................................................................................... cigarros vivo
............................................................................... a queimar
.......................................................... enquanto a vida
.............................................. me levar
.............................. dela eu farei
.................... abuso
quem não se
................. droga de vida
.................................. leva uma
.............................................. droga de vida
............................................................... e vive a vida
.............................................................................. confuso
........................................................................................ (acho isso
..................................................................... um desperdício!)
........................................................... por isso
....................................... meu sacrifício
.................. é passar pelo suplício...
de vida ter como vício!
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[Coloring Eva - Tsevis]
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Edi Longo

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Quem sou? O que sou? Um pouquinho de tudo, pois sou gente. Amo de verdade. Coisas e pessoas que me magoem torno transparentes, evitando-as. O sentimento de ódio pra mim é sinônimo de azias estomacais e, por conseguinte, mau-humor. Tenho uma família que idolatro. Um montão de amigos. Uma cadelinha. Uma paixão: escrever,... escrever,... escrever..., seja simples trovinha ou até mesmo um texto teatral. Uma frustração: ainda não ter netos. Um tesão: atuar! Pra mim, o palco é como se fosse a minha sala de visitas. Piso-o como se bailasse eternamente uma música feita por querubins, ou talvez, por Chaplin, meu ídolo maior. Sou isso: gente... com pretensão, quiçá, de virar uma descansada alma em um lugar qualquer, mas poeta. Tô nem aí se não fizerem aquele comentário babaca: “- Coitada, era tão boa!”. Danem-se! Fui e sou o que sou. Nada mais. A única coisa que não tolero é a morte. Oh coisinha mais sem futuro, pô!
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Blog: Reciclagem
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Incômodo Secular

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[Foto: Bernardo Castanho]

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INCÔMODO SECULAR
(Ju Rigoni)
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I
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Estranha genealogia,
sem frutos de amores proibidos.
de escolha pré-concebida,
pré-acertada entre os pais...
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Do rito sabem as mães
que viveram o mesmo drama
e, obstinadas,
empunham contra o rebento
a lâmina afiada,
de fio contaminado
pela palavra sagrada.
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Requinte de crueldade
que expõe ao risco
meninas em tenra idade.
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Nascem para a dor de morrer,
todos os dias,
da dor de todas as dores, -
de falta de amor.
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Elas não têm clitóris,
não conhecem o lugar
onde mente e corpo
encontram-se no prazer.
Não conjugam o verbo ser...
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Só sabem da alegria do "cego",
que potencializa os demais sentidos.
O ego é luz apagada.
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A arma é poderosa, -
nenhum homem pode com ela, -
por isso é melhor extirpar!...
Eles têm muito.
Eles têm tudo.
Mas...
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II
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Poderoso clitóris
que ganha o mundo.
Admirado por homens
e mulheres,
cada dia mais empinado,
mais arrogante,
mais instigante,
mais sabido,
sugado, chupado
e querido,
mais amado que o falo,
é o que dizem...
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Metam-se com a vagina,
ou, se preferirem, com o ânus,
que do contato com o clitóris
ninguém entra ou sai impune.
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Snail Tanka

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wearing shell

the house carried heavy

moonlight snail


sometimes moving so gloom

dreaming on the afternoon


~ a snail tanka, by mimi

[nov08]

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Poema da Espera

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[Under Fall Umbrella - Leonid Afremov]

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POEMA DA ESPERA
(Eloah Borda)
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Eu te esperei num tempo de saudade,
e te esperei na minha solidão;
e te esperei nas noites de vigília,
e até nos meus sonhos, te esperei...
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E te esperei nas datas importantes
– nas festas de Ano Novo, nos Natais,
nas Páscoas, e nos meus aniversários,
eu te esperei... e te esperei... e te esperei...
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E foi-se o tempo, há prata em meus cabelos,
há marcas no meu rosto, e nos meus olhos
já não há mais aquele antigo brilho
– mas este coração, teimoso e triste,
mesmo sabendo agora que partiste,
pra sempre desta vida, ainda espera...
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– Espera que se cumpra aqui o meu tempo,
para, quem sabe, te encontrar no infinito...
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Eloah Borda

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Sou Eloah Borda, gaúcha, natural de Pelotas (RS), vivendo atualmente em Florianópolis (SC): uma pessoa simples, mãe de dois filhos e avó coruja de um lindo garotinho de oito anos. Minha família é o que tenho de mais precioso na vida. Amo a arte em geral, em especial, música e poesia. Escrevo por prazer, porque preciso, porque a poesia faz (e sempre fez) parte da minha vida, desde criança, quando eu ainda nem sabia que tudo aquilo que sentia em relação ao mundo à minha volta, e que parecia ser maior que eu, e querer extravasar através de meus poros, tinha um nome: ‘poesia’.
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Blog:
Espaço Poesia.
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Encanto de Mulher

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[Mulheres Efêmeras – Kyta Zanelatto]

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ENCANTO DE MULHER
(Michèle Sato)
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Fere-me saber de tristezas
O peito rasgado feito papel
Somem as palavras
Presas na espessura do sangue
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Mas as emoções coaguladas
Jorram pela minha mente
Ainda que hoje sóbria
Logo será demente
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Escrevo na voz de uma mulher
Notas flutuam em respiro
Sei que está enferma e sensitiva
Mas seu canto é brisa em suspiro
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Busco encantamento para livrar a doença
Comprimidos, pílulas, drágeas...
O desfiar da memória revive com desejos
Para manter a vida feita como cápsulas
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Protegida assim em pedaços
De algum tempo que perdi na memória
De onde veio a poesia
Que me fez te amar feito um anexo
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Dói-me na alma te perder em vida,
mas na morte, resta-me teu canto...
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Michèle Sato

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Diferente da maioria dos poetas, minha formação acadêmica é em tempo retirante, que veste este mundo sombrio com novas inspirações. O que faz uma professora universitária e pesquisadora a estar num blog mágico de poesias? O coração inquieto, vibrante como centelhas arrisca... Porque muitas vezes o rigor acadêmico exige novas linguagens, talvez até de um silêncio, uma brisa, um cheiro da maresia ou o inefável consiga sair das conchas e ganhar o oceano. São coisas de ternuras que simples palavras científicas não expressam o prazer do vôo, por isso: A POESIA!
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Blog:
Ceci nest pas une blog de Mimi.
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Refúgio

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[Foto: Rita Costa]


REFÚGIO
(Rita Costa)
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Ah!...
como é difícil
ficar à margem,
se entre um verso
e outro
dou de encontro
com meus sonhos.
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Ah!...
ao me encontrar
melhor me entendo
e como é dolorido voltar,
se os antigos esconderijos
eram muito mais bonitos.
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Ah!...
como é difícil,
após ter ido tão fundo,
ver-me aqui encolhida
nesse poema resumido.

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Rita Costa

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Desde muito cedo sinto haver em mim esse lirismo passional, diante da vida que pulsa – de fora pra dentro –, seguido de uma angustiante necessidade de partilhar. É feito um grito que arrebenta o peito. Talvez, porque foi na natureza que aprendi a meditar e a buscar a energia essencial para prosseguir. Nela há um convite à liberdade, que distingo como inédito nas cores, sons e movimentos: são as palavras que escrevo, transpondo, em meus versos, fugas possíveis. Enfim, é tudo o que sinto.
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Blog:
Alma de Poesia.
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Dionísio

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[Foto: André L. Soares]


DIONÍSIO
(André L. Soares)
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Não temo a loucura arriscada
que parece acompanhar tudo que é novo.
O que mais me assusta é a inércia da certeza,
que insiste em macular de tédio o amanhã,...
pelo extraordinário que inexiste
nas coisas seguras.
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Quão insípidas são essas horas
todas já tão planejadas,
esses passos firmes, por estradas retas,
acinzentando o mundo com prévios resultados.
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Sei que posso estar errado,...
mas prefiro o inusitado
perigo das curvas.

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André L. Soares

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Brasiliense criado no Rio de Janeiro, tive a felicidade de vivenciar um pouco da cultura que caracteriza essas cidades. ‘Amante-aprendiz’ das artes – especialmente literatura e música –, escrevo como quem vive sem compromisso com a formalidade e a razão-pura. Divirto-me tentando entender o que as palavras dizem, quando se juntam. E assim tem sido, há mais de 40 anos, minha paixão por fonemas e metáforas.
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Blog:
Gritos Verticais.
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Ponto de Interrogação

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[Dúvida - Ju Rigoni]

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PONTO DE INTERROGAÇÃO
(Ju Rigoni)
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Este nariz virgulado,

esta boca entre parênteses,
e… aqui!,
entre as sobrancelhas,
dois pontos de exclamação.
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No pescoço travessões –,

um para cada frase.
E com quantas reticências
o sol premiou esta face!
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Há pontuação: há palavras, –

há erros e acertos há,
que este rosto é pedra bruta,
não conhece perfeição.
As memórias são tantas…
Nele perdeu-se a própria saga.
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Mas ainda há vagas

para angústias de todo trato, –
hífens, asteriscos, aspas…
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Destacando consoantes

há vogais no acentuado semblante,
– grave,
circunflexo til,
agudo trema,
crase…
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E à violência de um ponto

que deveria ser final,
uma sucessão de parágrafos…
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(O rosto bem junto ao espelho,

e ainda assim não me vejo,
quem é esta que me olha
como quem está de partida?
Quem sou eu?,
é a pergunta
que me segue pela vida…)
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Ju Rigoni

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Sou apenas uma mulher, mãe e avó que escreve. Num impulso. Quando acontece (não é sempre...) é tudo muito rápido. Um raio! Como diz um amigo: "...me dá um dois minutos...". E, se um telefone tocar, alguém me chamar, uma porta bater,... meu impulso vai para o lixo. Como escritora, eu diria que passei os quase sessenta anos desta minha vida errando em busca de acertos. Há quem ame e quem odeie – feliz infelicidade...
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Blog:
Fundo de Mim.
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Insônia

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[Sleeping - Viva La Queen]

. INSÔNIA
(Daisy Serena)
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Prometa-me que ao desligar a música
o som irritantemente persistente de meus
pensamentos não me enlouquecerá.
A sensação intocável de sei-lá-o-quê
não fará com que meu coração pulse bruscamente.
Esta dor continuará anestesiada,
como se a mim não pertencesse.
As lembranças não se tornarão inquietas,
acordando lágrimas
com muito custo adormecidas.
O medo não correrá feito adrenalina injetável
por cada veia de meu corpo.
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Prometa e jure, se possível,

que, ao se apagarem as luzes,
virá sono tranqüilo

e não o terror de desperta escuridão.
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Daisy Serena

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Sou DAISY SERENA (lê-se ‘Deize’ – culpa da fértil cabeça paterna). ‘Dazinha’ para todos. Semi- perdida em meus poucos vinte anos, mas que não deixam de ter sua única e discreta gorda bagagem. Paulistana, com metade do peito ‘joseense’. Apaixonada por tudo que suba em um palco, transcorra em papel e pulse nos ouvidos. Formada em ‘Hotelaria’, querendo ser jornalista, atriz, escritora, compositora e, se me permitirem a ousadia de sonhar, dona de alguns pares de estrelas e dos tons vibrantes que ainda hei de roubar de Almodóvar e Frida Kahlo. Poesia, prosa, contos, frases-soltas-em-qualquer-lugar,... não tem definição que eu possa – ou queira – agarrar em meus dedos. Para mim, basta essa sensação perfeita, abstrata, intensa, única e minha.
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Blog:
Através do Espelho.
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